LK
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Cristais puros de LK-99, sintetizados por uma equipe do Instituto Max Planck de Pesquisa do Estado Sólido em Stuttgart, Alemanha. Crédito: Pascal Puphal
Os pesquisadores parecem ter resolvido o quebra-cabeça do LK-99. O trabalho de detetive científico descobriu evidências de que o material não é um supercondutor e esclareceu suas propriedades reais.
A conclusão frustra a esperança de que o LK-99 – um composto de cobre, chumbo, fósforo e oxigênio – venha a ser o primeiro supercondutor que funciona à temperatura ambiente e à pressão ambiente. Em vez disso, estudos mostraram que as impurezas no material – em particular, o sulfeto de cobre – foram responsáveis por quedas bruscas na sua resistividade elétrica e uma exibição de levitação parcial sobre um ímã, propriedades semelhantes às exibidas pelos supercondutores.
“Acho que as coisas estão decididamente resolvidas neste momento”, diz Inna Vishik, experimentalista de matéria condensada da Universidade da Califórnia, Davis.
O alegado supercondutor LK-99 é uma sensação online – mas os esforços de replicação são insuficientes
A saga do LK-99 começou no final de julho, quando uma equipe liderada por Sukbae Lee e Ji-Hoon Kim do Quantum Energy Research Centre, uma empresa start-up em Seul, publicou pré-impressões1,2 alegando que o LK-99 é um supercondutor em pressão normal e em temperaturas de pelo menos 127 ºC (400 kelvin). Todos os supercondutores confirmados anteriormente funcionam apenas em temperaturas muito baixas e pressões extremas.
A afirmação extraordinária rapidamente chamou a atenção do público e dos pesquisadores interessados na ciência, alguns dos quais tentaram replicar o LK-99. As tentativas iniciais não encontraram sinais de supercondutividade à temperatura ambiente, mas não foram conclusivas. Agora, depois de dezenas de esforços de replicação, muitos especialistas estão dizendo com segurança que as evidências mostram que o LK-99 não é um supercondutor à temperatura ambiente. (A equipe de Lee e Kim não respondeu ao pedido de comentários da Nature.)
A equipe sul-coreana baseou sua afirmação em duas propriedades do LK-99: levitação acima de um ímã e quedas abruptas na resistividade. Mas equipas separadas da Universidade de Pequim3 e da Academia Chinesa de Ciências4 (CAS), ambas em Pequim, encontraram explicações mundanas para estes fenómenos.
Outro estudo5, realizado por pesquisadores dos Estados Unidos e da Europa, combinou evidências experimentais e teóricas para demonstrar como a estrutura do LK-99 tornou a supercondutividade inviável. E outros experimentadores sintetizaram e estudaram amostras puras6 do LK-99, tirando dúvidas sobre a estrutura do material e confirmando que não se trata de um supercondutor, mas sim de um isolante.
A única confirmação adicional viria da equipa sul-coreana que partilha as suas amostras, diz Michael Fuhrer, físico da Universidade Monash em Melbourne, Austrália. “Cabe a eles o fardo de convencer todos os outros”, diz ele.
Talvez a evidência mais impressionante da supercondutividade do LK-99 tenha sido um vídeo feito pela equipe sul-coreana que mostrou uma amostra de material prateado em forma de moeda oscilando sobre um ímã. Os pesquisadores disseram que a amostra estava levitando por causa do efeito Meissner – uma marca registrada da supercondutividade na qual um material expele campos magnéticos. Vários vídeos não verificados de LK-99 levitando posteriormente circularam nas redes sociais, mas nenhum dos pesquisadores que inicialmente tentaram replicar as descobertas observou qualquer levitação.
Várias bandeiras vermelhas surgiram para Derrick VanGennep, um ex-pesquisador de matéria condensada da Universidade de Harvard em Cambridge, Massachusetts, que agora trabalha com finanças, mas ficou intrigado com o LK-99. No vídeo, uma borda da amostra parecia grudar no ímã e parecia delicadamente equilibrada. Por outro lado, os supercondutores que levitam sobre os ímãs podem ser girados e até mesmo mantidos de cabeça para baixo. “Nenhum desses comportamentos se parece com o que vemos nos vídeos do LK-99”, diz VanGennep.
